sexta-feira, dezembro 02, 2016

terça-feira, novembro 29, 2016

As vitórias do Costa saem caras


Costa anda há um ano às voltas com a Caixa.
A única coisa que conseguiu foi autorização 
para enterrar lá 6.000 milhões de euros tirados dos nossos bolsos. 
Mais do que nos custou o BES. 
Mas apresenta isso como uma grande vitória.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Documento delicioso

Documento delicioso
Trata-se de um relatório, feito por "agentes fiscais", que descreve o famoso "Primeiro Encontro da Canção Portuguesa" que teve lugar no Coliseu a 29 de Março de 1974. A preocupação parecia ser a de verificar se os artistas cantavam algo que não tivesse sido aprovado pela censura.
Eu, como milhares de outros portugueses, estive no Coliseu nesta noite fantástica que, sem dúvida, prenunciava a Revolução de Abril.







quarta-feira, novembro 23, 2016

O produto interclassista e universal



O produto interclassista e universal
Na estrada que leva de S. João dos Angolares até à cidade de S. Tomé fotografei estes dois jovens. Um deles empunha um telemóvel.
Por todo o lado, mesmo em rudimentares aldeias de pescadores, encontrei publicidade e lojas de produtos destinados às "comunicações móveis".
Convenci-me então de que o telemóvel é, na história da humanidade, o produto que maior sedução exerceu em todas as geografias e em todas as classes sociais.

terça-feira, novembro 22, 2016

sábado, novembro 12, 2016

Na estação de Khajurao




Na estação de Khajurao
A cidade é famosa pelos seus templos decorados com esculturas eróticas, um rococó de nus e de fornicação impensável no ocidente cristão.
Quando a visita acabou fui tomar o combóio na direcção de Agra. Tudo isto aconteceu em 2008.
Mas o que eu vos quero dizer é mais geral.
Quando caio inadvertidamente num destes directórios de imagens colhidas durante as viagens eu tenho a sensação de iniciar uma nova jornada. Não ao local então visitado mas a um local sem nome em que o ficheiro do computador se tornou.
E nesta nova viagem eu detecto pormenores que não podia ter visto na correria dos percursos e dos horários.
Detenho-me finalmente sobre os rostos e sobre as formas, com uma exaltante sensação de descoberta.
Aqueles que ridicularizam os viajantes fotógrafos, por andarem sempre a disparar, nunca terão esse prazer de visitar terras inexistentes, construídas com as nossas fotografias, pelas nossas próprias mãos.

Habilidades



Costa, com a habilidade habitual, faz tudo para disfarçar a sua conivência com o génio que contratou.
Se Costa tivesse ideias firmes sobre a obrigação do doutor Domingues se submeter às leis da República não precisava de se esconder atrás do Tribunal Constitucional; ordenava ao seu subordinado que entregasse a devida declaração e, caso ele não obedecesse, procedia à sua exoneração.

quinta-feira, novembro 10, 2016

OEDIPUS REX







OEDIPUS REX

em excelente encenação de Ricardo Pais
no Teatro Nacional de São Carlos
(as fotos foram extraídas do site promocional da ópera)

segunda-feira, novembro 07, 2016

CGD



Aber rações

sexta-feira, novembro 04, 2016

O Estado a que isto chegou


O Estado a que isto chegou
A esquerda tem no seu ADN o sonho de criar um tipo de sociedade radicalmente novo. Quando eu cheguei à política, há mais de 50 anos, a utopia estava ainda bem viva.
Se considerarmos as brutais transformações tecnológicas das últimas décadas tal ideia em vez de utópica pode até ser vista como necessária.
No entanto a ressaca do desmoronamento da URSS produziu uma evolução noutro sentido.
Os partidos anteriormente revolucionários foram-se submetendo à lógica social-democrata e aos encantos do "estado social".
Hoje já ninguém fala de uma nova sociedade.
Isso foi substituído pela invasão dos centros do poder político em troca da manutenção da sociedade capitalista tal como ela é.
Imbuídos de um espírito pretensamente vanguardista os partidos de esquerda tratam de gerir o sistema tomando medidas para que ele, apesar de anacrónico, não seja demasiado insuportável.
De caminho engordam as estruturas do Estado, quantas vezes com amigos e colegas do partido, sugando a sociedade com impostos.
Gera-se então uma contradição fatal; a economia nem é verdadeiramente capitalista nem é outra coisa qualquer.
Por essas e por outras a economia estagna e ninguém sabe muito bem como pô-la a crescer.
O Estado mete o bedelho em tudo e atabafa com os seus milhares de regulamentos grande parte das iniciativas e empreendimentos.
Meio dúzia de génios, inventados nas juventudes partidárias, sentam-se nas cadeiras do poder como se pudessem e soubessem manipular as alavancas de uma economia cada vez mais complexa.
É no Estado que se cruzam os grandes negócios e, com a desculpa da retórica republicana, põe-se os cidadãos a pagar rendas às corporações, falências dos bancos, e todo o tipo de fraudes que diáriamente aparecem nos jornais (hoje é na Força Aérea mas também no SNS às dezenas, na Segurança Social, etc).
Vende-se aos cidadãos a ilusão de que o Estado, e o que é do Estado (por ex. a CGD) garante por natureza a prossecução do interesse público. Apesar de a realidade andar há décadas a mostrar o contrário.

quarta-feira, novembro 02, 2016

"Comparar o que é comparável"



"Comparar o que é comparável"
Anda por aí uma algazarra que pretende convencer-nos de que aquilo que se gastou num ano não tem nada a ver com o orçamento de gastos para o ano seguinte.
O quadro anexo, e a mais básica experiência pessoal, mostram precisamente que o valor que gastámos é uma das melhores bases para a previsão daquilo que gastaremos.
Há realmente uma tradição, deplorável, de orçamentar valores que se sabe à partida serem impossíveis por insuficientes. Mas o facto de esse erro ser antigo não nos deve impedir de criticar quem nele persiste.
O objectivo parece ser óbvio; fazer passar um orçamento que de outra forma apresentaria défices inaceitáveis.
Nota curiosa: o governo socialista gastou menos com a Educação, em 2016, do que os governos neoliberais no auge da crise em 2012, 2013 e 2014.

Erro de casting.



Erro de casting.
Devia ser imediatamente exonerado.

quinta-feira, outubro 27, 2016

Espectáculos


quarta-feira, outubro 26, 2016

Notícias da aldeia global


Em Julho deste ano recebi uma mensagem inesperada de uma senhora, Cecile Clause de Ramirez, americana casada com um peruano. Cecile já viveu alguns anos no Peru com cuja cultura tem, aparentemente, grande empatia. Agora parece viver no Texas.

Ela tinha visto algures na internet uma fotografia feita por mim, em Chinchero, no Peru, em 2011. Na sua mensagem pedia-me autorização para fazer uma pintura a pastel a partir da minha fotografia.

Eu dei-lhe total liberdade e agora, passados uns tempos, ela enviou-me o resultado do seu trabalho.
Para um leigo como eu, incapaz de produzir obras com as tintas, o quadro pintado pela Cecile parece-me muito bem feito e interessante tanto mais que a autora só recentemente se iniciou nestas andanças.

Aqui fica mais esta demonstração das potencialidades da rede informática mundial, que nos permite colaborar com pessoas cuja existência, de outra forma, nunca teríamos descoberto.



terça-feira, outubro 25, 2016

O insólito




O insólito
a Sul de Santiago cruzei-me na estrada com este grupo que trotava, compenetrado, não sei para onde.
Ainda parei, atónito, mas não podia protestar já que circulavam dentro da sua faixa de rodagem e nem sequer iam em excesso de velocidade.
Como a estrada estava deserta não cheguei a perceber se tinham forma de fazer pisca quando estivessem para ultrapassar.

quarta-feira, outubro 19, 2016

O "Tratado Orçamental" não tem a culpa


O "Tratado Orçamental", assinado em Março de 2012, não pode ser responsável por este continuado descalabro

sexta-feira, outubro 14, 2016

Manobras imbecis.



Manobras imbecis.
O caso do "imposto imobiliário", entre outros, mostra a total irresponsabilidade do governo. Um imposto de 0,3% sobre o que exceda valor patrimonial de 1,2 milhões rende o quê? Em troca de uma ridicularia gerou-se o pânico nos investidores que neste momento devem estar a pensar que isto é um país de doidos.
E a Mariana faz figura de quê?

sábado, outubro 08, 2016

Os "nórdicos"




Os "nórdicos" costumam ser dados como exemplo quando se trata de direitos sociais.
Infelizmente somos incapazes de copiar também as suas práticas políticas. Cinco partidos, da direita à esquerda, puseram-se de acordo para a reforma do sistema de pensões.
A partir daí os pensionistas deixaram de ser arma de arremesso eleitoral e sabem sempre quanto vão receber.
E sabem sempre que vão receber.
Por cá os partidos preferem as decisões casuísticas, para poderem aparecer como benfeitores, tratando o povo como uma massa dependente e não como cidadãos.

quarta-feira, outubro 05, 2016

Cartas da guerra (quem as não tem?)



Cartas da guerra (quem as não tem?)
Fui ver o filme de Ivo M. Ferreira que tem como base as cartas que António Lobo Antunes enviou à sua mulher, Maria José, quando estava a combater em Angola (como médico).
É preciso dizer desde já que o filme é magnífico e que a fotografia tem uma elevadíssima qualidade.
Para aqueles que também escreveram cartas durante a guerra (eu, por exemplo, guardo dezenas e dezenas) o filme é especialmente tocante.
Aquilo que importa no filme é a ilustração angustiante da incomunicabilidade nesses tempos remotos em que, por incrível que pareça aos mais jovens, não havia telemóveis, nem skype.
Escrevia-se uma carta e recebia-se o retorno um mês depois.
Como é que uma pessoa apaixonada, ou em vésperas de ser pai, pode lidar com isto, suportar isto?
As cartas de Lobo Antunes, lidas ao longo do filme em off, mostram como todas e cada uma das palavras soam curtas, insignificantes nesses momentos.
As declarações e os sentimentos são repetidos, e repetidos, da mesma ou sob diferentes formas, como se fosse necessário martelar um sentido que nunca mais se alcança.

segunda-feira, outubro 03, 2016

O senhor Matias



O senhor Matias é alentejano há 76 anos.
Começou a guardar porcos quando tinha 11 e a sua vida foi uma sucessão de rebanhos, parelhas e juntas.
Está sentado em frente à casa, com as costas apoiadas na taipa. Anoitece.
A mulher foi a Grândola, "ao tratamento". Cortaram-lhe uma perna há semanas. Foi diabetes, parece.
Só volta lá para a meia-noite, quando vier a ambulância dos bombeiros.
O senhor Matias ouve os cães ladrar por trás da casa, mas não vê bem as ovelhas que mordiscam as poucas ervas verdes do fim do Verão. Tem os olhos embaciados pelas cataratas.
O senhor Matias podia ir enxotar as ovelhas, que talvez tenham fugido para a estrada, mas a ciática não deixa.
O senhor Matias já não a sentia há trinta anos e pensava que escapava mas, há uns meses, ela voltou com redobrada força.
A noite vai caindo e já tremelicam umas luzitas para os lados da aldeia mas o senhor Matias não as vê. A ambulância dos bombeiros ainda tarda e os sacanas dos cães nunca mais se calam.
Podia ir lá atrás dar-lhes um berro mas não se atreve a cair, ao tropeço de uma pedra.
Não há aumento de pensões que resolva esta tristeza, que o problema do senhor Matias nem é económico. Que o digam as ovelhas e os porcos que chafurdam no fim do quintal.
Não há geringonça de esquerda, ou de direita, capaz de acabar com esta tristeza quando a noite cai.
Talvez algum chaparro.

sábado, outubro 01, 2016

quarta-feira, setembro 28, 2016

domingo, setembro 25, 2016

sexta-feira, setembro 23, 2016

quarta-feira, setembro 21, 2016

Milagre no Rio Hudson



Clint Eastwood pegou no insólito e inacreditável episódio, ocorrido em 2009, em que um piloto conseguiu uma aterragem de emergência no rio Hudson, logo após a descolagem, salvando os 155 ocupantes do avião.
Neste filme não há qualquer exploração abusiva dos efeitos especiais nem a utilização fácil das cenas de terror naturais em tais situações.
Clint, com a ajuda preciosa de Tom Hanks, debruça-se sobre o drama humano do piloto. Um homem que se vê subitamente herói universal e, simultâneamente, suspeito de não ter tomado as decisões mais seguras durante a emergência.
Uma situação só possível numa cultura de responsabilização onde não se hesita submeter a inquérito rigoroso mesmo alguém que é idolatrado pelas massas.
Coloca as seguintes questões muito interessantes:
1. A indústria aeronáutica dispõe de tecnologias espantosas mas, como em certas situações é inevitável o factor humano, quais são limites dos sistemas automáticos?
2. Como balancear a capacidade tecnológica para modelar e simular situações, por um lado, e a intuição humana e o saber acumulado pela experiência, por outro?
3. Em que condições é legítimo julgar à posteriori situações e decisões que tiveram lugar sob tensão em ambientes irrepetíveis?
Uma problemática em que não andamos muito longe dos "prognósticos depois do jogo" ou mesmo das soluções milagrosas para sair da bancarrota que certos políticos apresentam "depois do jogo" sabendo que os erros de tais soluções nunca poderão ser demonstrados.
A política e a economia não possuem simuladores de voo.

terça-feira, setembro 20, 2016

FLASHBACK no Porto






FLASHBACK no Porto
A exposição abriu ontem, nas instalações da Atmosfera M do Porto onde fomos recebidos com toda a cortesia. Aqui ficam os meus agradecimentos.
Nas paredes 34 fotografias e nas vitrines 38 câmaras da colecção. O espaço não dava para mais.
A assistência mostrou-se interessada e proporcionou animados debates.

sexta-feira, setembro 16, 2016

AMATEUR


Fui ver o recém estreado filme da Olga Ramos, que trata da vida e obra do pioneiro da fotografia Carlos Relvas. Com especial foco na espantosa casa-estúdio que ele construiu, com toda a probabilidade uma das mais interessantes do mundo.
A oportunidade e qualidade do filme é inquestionável pese embora um certo desequilíbrio nos ritmos e a inclusão demasiado longa de assuntos laterais e menos conseguidos.
Eu, que tal como Relvas me assumo sempre como "amador" da fotografia, saí da sala esmagado pela quantidade e qualidade da sua obra (daquilo que me foi dado ver).
Depois do que andei a fazer nos últimos cinco anos penso ter uma boa noção do esforço necessário para produzir, como Relvas fez, 5.000 fotografias com a tecnologia do colódio húmido e mais uns milhares depois disso.
Para além do mais ele tocou muitas áreas diferentes, desde os instantâneos e paisagens até à fotografia encenada; desde a fotografia do rei até aos retratos das ovelhas e cães.
Em pleno século XIX ele percorreu muitos caminhos que nos deixam perplexos neste início do século XXI.

terça-feira, setembro 13, 2016

FLASHBACK no Porto




FLASHBACK no Porto
No dia 19 de Setembro, pelas 18 horas, irei conduzir uma visita guiada da minha exposição FLASHBACK.
Estará patente no espaço "Atmosfera M", no Porto, e incluirá umas dezenas de máquinas fotográficas e rolos de filme do século XX.
Em paralelo estarão expostas fotografias realizadas com máquinas e rolos produzidos entre 1908 e 1998.

sábado, setembro 10, 2016

Importante e insuspeito


Importante e insuspeito

sexta-feira, setembro 02, 2016

Há 49 anos



faz hoje 49 anos que entrei na Escola Naval para o curso da Reserva Naval.
Depois de passar pela Escola de Fuzileiros parti, no primeiro de Maio de 1968, para uma comissão na Guiné.